Vacarezza rifou Código Florestal por presidência da Câmara
Da Página do Greenpeace
Nesta terça-feira, ativistas do Greenpeace protestaram em frente à Câmara dos
Deputados e no prédio em Brasília onde está instalado o governo de transição da
presidente eleita Dilma Rousseff, contra a tentativa de aprovação a toque de
caixa do novo Código Florestal.
Vestidos de vaca, ativistas alertaram para a manobra política orquestrada
pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza, que declarou apoio aos
ruralistas na aprovação ainda este ano da lei.
A “homenagem” a Vacarezza veio por seu empenho em barganhar a lei que protege
as florestas brasileiras. Na última semana, enquanto dezenas de países,
inclusive o Brasil, se reuniam em Cancún para discutir meios de reduzir suas
emissões de gases-estufa para impedir uma catástrofe climática, alguns
parlamentares brasileiros pensavam apenas no curto prazo e se lixavam para o
futuro.
Aproveitando o clima de fim de governo, a bancada ruralista tenta enfiar
goela abaixo dos brasileiros o polêmico projeto de mudança no Código Florestal
que anistia desmatadores e reduz a proteção das florestas. A estratégia é obter
o “regime de urgência” para votar o projeto, cujo pedido foi feito pelo deputado
Sandro Mabel (PR-GO), recentemente acusado de envolvimento com escândalos de
corrupção.
Vacarrezza
é o mais novo aliado dos ruralistas. De olho na presidência da casa em 2011, o
líder do governo já anunciou que topa trocar o futuro de nossas florestas por
votos para sua campanha rumo ao poder.
Para tentar amenizar a situação, Vaccarezza diz que ouviu dos ruralistas a
promessa de que não votarão o texto neste ano. A declaração do líder do PT não
confere. Para a turma da motosserra, a votação tem que acontecer o quanto antes,
de preferência ainda esta semana. Independente da data de votação, o problema
continua. “Em regime de urgência ou não, a idéia dos ruralistas continua sendo
votar o projeto a toque de caixa, sem dar ouvidos à sociedade e à comunidade
científica, que já se posicionaram contra mudanças propostas no Código
Florestal”, diz Marcio Astrini, da campanha Amazônia do Greenpeace.
Para
quem circula pelos bastidores do Congresso, o apoio de Vaccarezza aos anseios
ruralistas é uma manobra clara de barganha de votos para concorrer à Presidência
da Câmara. A vontade é tanta que o líder do PT atropelou a própria legenda, que
havia se declarado contra as propostas de alteração no Código Florestal e contra
o encaminhamento do assunto neste ano. Até mesmo a presidente eleita, Dilma
Rousseff, disse – e repetiu – que não aceita a anistia a quem cometeu crimes
ambientais e redução da proteção às florestas. Isso É justamente o que propõe o
texto em questão, redigido pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
Apesar
da pressa, são os próprios parlamentares os primeiros a mostrarem-se
despreparados para a votação. Em entrevista ao Blog do Planeta, da revista
Época, Vaccarezza demonstrou total desconhecimento do texto que muda o Código
Florestal. Questionado sobre as brechas que o projeto de lei abre para mais
desmatamento e mais emissões de gases-estufa, ele se perde: “Eu não sei. É
melhor você conversar com o relator do projeto. Ainda não me debrucei em uma
análise mais detida”.
Cientistas e organizações ambientalistas, porém,
já se deram esse trabalho. E a conclusão é uma só: caso a proposta passe, seria
inviável para o Brasil honrar as metas assumidas na conferência da ONU sobre
mudanças climáticas de 2009, em Copenhague, que prevêem a redução até 2020 de
36% a 39% de nossas emissões de gases-estufa. “Se esse projeto de lei for
aprovado, todos os esforços que levaram à queda do desmatamento na Amazônia nos
últimos anos poderão ir por água abaixo”, afirma Astrini. “Nossas florestas não
podem ser usadas como moeda de troca em disputas políticas. É o futuro do Brasil
que está em jogo.”
Postado em 16.12.2010 15:34
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